Estudo sobre milho transgênico é publicado novamente

Com a nova publicação, equipe do professor Séralini confirma que o herbicida Roudup provoca deficiências graves no fígado e nos rins; pesquisa havia sido retirada de revista após gerar polêmica envolvendo a Monsanto, fabricante do herbicida. Leia um pouco mais do artigo publicado neste link pelo Brasil de Fato.

Ambev: Suas cervejas são produzidas com milho transgênico?

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Assine a petição, o abaixo-assinado

Ambev: queremos transparência com os consumidores!

O mundo ainda discute os efeitos dos alimentos transgênicos para a saúde humana e para o meio ambiente. No caso do Brasil, mais da metade das áreas agricultáveis são destinadas a essa controversa tecnologia.Você sabia que quase metade da cevada usada para produzir cerveja no Brasil pode ser substituída por milho? A legislação brasileira permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outras fontes de carboidrato mais barata na cerveja, dentre elas, o milho. Como quase 90% do milho plantado no Brasil é transgênico e a venda de cerveja chegou a 86,7 bilhões de litros em 2012, é bem provável que o milho usado na cerveja seja transgênico.

Diante dessa situação, como saberemos se estamos bebendo álcool produzido a partir desse milho? Não há informação no rótulo sobre o que está substituindo o malte de cevada, apenas vem escrito “cereais não maltados”, não informando ao consumidor o que ele está comprando.

Este abaixo-assinado pede para as grandes cervejarias respeitarem seus consumidores, informando claramente a composição das cervejas. Esta campanha é fruto da necessidade de saber o que estamos bebendo e do respeito aos direitos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor. Ajude a pressionar a Ambev, a maior cervejaria do Brasil, a informar aos seus consumidores se o milho que ela usa em suas cervejas é transgênico, assine e divulgue!

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Conheça 10 transgênicos que você pode estar comendo sem saber

Transgênicos dcvitti

Animais e plantas geneticamente modificados

No final de dezembro passado, a agência que zela pela segurança alimentar nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration) aprovou para consumo um tipo de salmão geneticamente modificado, reacendendo o debate sobre a segurança dos transgênicos e suas implicações éticas, econômicas sociais e políticas.

É a primeira vez que um animal geneticamente modificado é aprovado para consumo humano. Mas muitos consumidores nos Estados Unidos, Europa e Brasil, regiões em que os organismos geneticamente modificados (OGMs) em questão de poucos anos avançaram em velocidade surpreendente dos laboratórios aos supermercados, passando por milhões de hectares de áreas cultiváveis, continuam desconfiados da ideia do homem cumprindo um papel supostamente reservado à natureza ou à evolução – e guardam na memória os efeitos nocivos, descobertos tarde demais, de “maravilhas” tecnológicas como o DDT e a talidomida.

Boa parte do público ainda teme possíveis efeitos negativos dos transgênicos para a saúde e o meio ambiente. Pesquisas de opinião nos Estados Unidos e na Europa, entretanto, indicam que a resistência aos OGMs tem caído, refletindo, talvez, uma tendência de gradual mudança de posição da percepção pública.

Polêmica científica

As principais academias de ciências do mundo e instituições como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) insistem em dizer que os transgênicos são seguros e que a tecnologia de manipulação genética realizada sob o controle dos atuais protocolos de segurança não representa risco maior do que técnicas agrícolas convencionais de cruzamento de plantas.

Mas muitos cientistas discordam, ainda que os alertas não ganhem nas manchetes a mesma importância que os anúncios dos eventuais benefícios dos transgênicos. Pesquisas já demonstraram que os vegetais consumidos podem alterar os genes humanos, e até livros já foram escritos mostrando o risco de que os transgênicos espalhem-se pela natureza.

A preocupação é ainda maior no caso dos animais transgênicos, como é o caso dos mosquitos transgênicos soltos no Brasil e em outros países para combater a dengue, e cujos efeitos sobre o homem não são conhecidos.

Salmão transgênico

O salmão transgênico, que pode chegar às mesas de jantar em 2014, será o primeiro animal geneticamente modificado (GM) consumido pelo homem. Vários produtos transgênicos já estão nos supermercados, um fato que pode ter escapado a muitos consumidores – apesar da discreta rotulagem obrigatória, no Brasil e na UE, de produtos com até 1% de componentes transgênicos.

Veja abaixo uma lista com 10 produtos e derivados que serve de exemplo de como os transgênicos entraram, estão tentando ou mesmo falharam na tentativa de entrar na cadeia alimentar.

Milho transgênico

Com as variantes transgênicas respondendo por mais de 85% das atuais lavouras do produto no Brasil e nos Estados Unidos, não é de se espantar que a pipoca consumida no cinema, por exemplo, venha de um tipo de milho que recebeu, em laboratório, um gene para torná-lo tolerante a herbicida, ou um gene para deixá-lo resistente a insetos, ou ambos.

Dezoito variantes de milho geneticamente modificado foram autorizadas pelo CTNBio, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia que aprova os pedidos de comercialização de OGMs.

O mesmo pode ser dito da espiga, dos flocos e do milho em lata que você encontra nos supermercados. Há também os vários subprodutos – amido, glucose – usados em alimentos processados (salgadinhos, bolos, doces, biscoitos, sobremesas) que obrigam o fabricante a rotular o produto.

O milho puro transgênico não é vendido para consumo humano na União Europeia, onde todos os legumes, frutas e verduras transgênicos são proibidos para consumo – exceto um tipo de batata, que recentemente foi autorizado, pela Comissão Europeia, a ser desenvolvido e comercializado. Nos Estados Unidos, ele é liberado e não existe a rotulação obrigatória.

Óleos de cozinha geneticamente modificados

Os óleos extraídos de soja, milho e algodão, os três campeões entre as culturas geneticamente modificadas – e cujas sementes são uma mina de ouro para as cerca de dez multinacionais que controlam o mercado mundial – chegam às prateleiras com a reputação “manchada” mais pela sua origem do que pela presença de DNA ou proteína transgênica. No processo de refino desses óleos, os componentes transgênicos são praticamente eliminados. Mesmo assim, suas embalagens são rotuladas no Brasil e nos países da UE.

Soja transgênica

No mundo todo, o grosso da soja transgênica, a rainha das commodities, vai parar no bucho dos animais de criação – que não ligam muito se ela foi geneticamente modificada ou não. O subproduto mais comum para consumo humano é o óleo de cozinha, mas há ainda o leite de soja, tofu, bebidas de frutas e soja e a pasta missô, todos com proteínas transgênicas (a não ser que tenham vindo de soja não transgênica).

No Brasil, onde a soja transgênica ocupa quase um terço de toda a área dedicada à agricultura, a CTNBio liberou cinco variantes da planta, todas tolerantes a herbicidas – uma delas também é resistente a insetos.

Mamão papaia transgênico

Os Estados Unidos são o maior importador de papaia do mundo – a maior parte vem do México e não é transgênica. Mas muitos norte-americanos apreciam o papaia local, produzido no Havaí, Flórida e Califórnia.

Cerca de 85% do papaia do Havaí, que também é exportado para Canadá, Japão e outros países, vem de uma variedade geneticamente modificada para combater um vírus devastador para a planta. A fruta não é vendida no Brasil, nem na Europa.

Queijo transgênico

Aqui não se trata de um alimento derivado de um (OGM) organismo geneticamente modificado, mas de um alimento em que um OGM contribuiu em uma fase de seu processamento. A quimosina, uma enzima importante na coagulação de lacticínios, era tradicionalmente extraída do estômago de cabritos – um procedimento custoso e “cruel”.

Biotecnólogos modificaram microrganismos como bactérias, fungos ou fermento com genes de estômagos de animais, para que estes produzissem quimosina. A enzima é isolada em um processo de fermentação em que esses microrganismos são mortos.

A quimosina resultante deste processo – e que depois é inserida no soro do queijo – é tida como idêntica à que era extraída da forma tradicional. Essa enzima é pioneira entre os produtos gerados por OGMs e está no mercado desde os anos 90.

Notem que o queijo, em todo seu processo de produção, só teve contato com a quimosina – que não é um OGM, é um produto de um OGM. Além disso, a quimosina é eliminada do produto final. Por isso, o queijo escapa da rotulação obrigatória.

Pão, bolos e biscoitos geneticamente modificados

Trigo e centeio, os principais cereais usados para fazer pão, continuam sendo plantados de forma convencional e não há variedades geneticamente modificadas em vista. Mas vários ingredientes usados em pão e bolos vêm da soja, como farinha (geralmente, nesse caso, em proporção pequena), óleo e agentes emulsificantes como lecitina.

Outros componentes podem derivar de milho transgênico, como glucose e amido. Além disso, há, entre os aditivos mais comuns, alguns que podem originar de microrganismos modificados, como ácido ascórbico, enzimas e glutamato. Dependendo da proporção destes elementos transgênicos no produto final (acima de 1%), ele terá que ser rotulado.

Abobrinha transgênica

Seis variedades de abobrinha resistentes a três tipos de vírus são plantadas e comercializadas nos Estados Unidos e Canadá. Ela não é vendida no Brasil ou na Europa.

Arroz transgênico

Uma das maiores fontes de calorias do mundo, mesmo assim, o cultivo comercial de variedades modificadas fica, por enquanto, na promessa. Vários tipos de arroz estão sendo testados, principalmente na China, que busca um cultivo resistente a insetos. Falou-se muito no golden rice, uma variedade enriquecida com beta-caroteno, desenvolvida por cientistas suíços e alemães.

O “arroz dourado”, com potencial de reduzir problemas de saúde ligados à deficiência de vitamina A, está sendo testado em países do sudeste asiático e na China, onde foi pivô de um recente escândalo: dois dirigentes do projeto foram demitidos depois de denúncias de que pais de crianças usadas nos testes não teriam sido avisados de que elas consumiriam alimentos geneticamente modificados. Estudo com arroz transgênico em crianças chinesas vira escândalo internacional.

Feijão transgênico

A Empresa Brasileira para Pesquisa Agropecuária (Embrapa), conseguiu em 2011 a aprovação na CTNBio para o cultivo comercial de uma variedade de feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, tido como o maior inimigo dessa cultura no país e na América do Sul.

As sementes devem ser distribuídas aos produtores brasileiros – livre de royalties – em 2014, o que pode ajudar o país a se tornar autossuficiente no setor. É o primeiro produto geneticamente modificado desenvolvido por uma instituição pública brasileira.

Salmão transgênico

Após a aprovação prévia da FDA, o público e instituições americanos têm um prazo de 60 dias (iniciado em 21 de dezembro) para se manifestar sobre o salmão geneticamente modificado para crescer mais rápido.

Em seguida, a agência analisará os comentários para decidir se submete o produto a uma nova rodada de análises ou se o aprova de vez. Francisco Aragão, pesquisador responsável pelo laboratório de engenharia genética da Embrapa, afirma que tem acompanhado o caso do salmão “com interesse”, e que não tem dúvidas sobre sua segurança para consumo humano.

“A dúvida é em relação ao impacto no meio ambiente. (Mesmo criado em cativeiro) O salmão poderia aumentar sua população muito rapidamente e eventualmente eliminar populações de peixes nativos. As probabilidades de risco para o meio ambiente são baixas, mas não são zero…na natureza não existe o zero”.

Transgênicos que não deram certo

A primeira fruta aprovada para consumo nos Estados Unidos foi um tomate modificado para aumentar sua vida útil após a colheita, o “Flavr Savr tomato”. Ela começou a ser vendida em 94, mas sua produção foi encerrada em 97, e a empresa que o produziu, a Calgene, acabou sendo comprada pela Monsanto.

O tomate, mais caro e de pouco apelo ao consumidor, não emplacou. O mesmo ocorreu com uma batata resistente a pesticidas, lançada em 95 pela Monsanto: a New Leaf Potato. Apesar de boas perspectivas iniciais, ele não se mostrou economicamente rentável o suficiente para entusiasmar fazendeiros e foi tirada do mercado em 2001.

A violência invisível contra transgêneros

Transgênicos

O dia 20 de novembro é tão irrelevante quanto qualquer outro dia para a maioria das pessoas, mas para a comunidade transgênera é um dia solene de luto e de se juntar para lembrar de nossos parentes assassinados. A cada ano, com a proximidade da data, me encho de um sentimento de perda. Desde 1999, 20 de novembro marca o Dia Internacional de Recordação dos Transgêneros, e começou após o assassinato macabro de uma mulher transgênera afro-americana chamada Rita Hester, em Boston.

Rita foi esfaqueada até a morte em seu próprio apartamento em 28 de novembro de 1998 e seu homicídio continua sem solução. Sua morte veio apenas algumas semanas após o assassinato de Matthew Shepard, em Wyoming, ter despertado um debate nacional sobre os crimes de ódio contra os homossexuais, mas o assassinato de Rita não recebeu tal resposta do público. Seu assassinato e a falta de atenção da mídia para a sua morte levaram uma vigília à luz de velas a começar em São Francisco no ano seguinte.

Ele também alimentou a criação de um projeto na web intitulado “Remembering Our Dead” (Recordando Nossos Mortos, em tradução livre), que conta a história de pessoas transgênero de todo o mundo que foram assassinadas por preconceito e ódio. Sua lista remonta à década de 1970 e documenta as perdas que a nossa comunidade sentiu durante muitos anos de maus tratos e marginalização.

Eu poderia dizer que a lista não cresce a cada dia que passa. Mas eu estaria mentindo. Em todo o mundo, as pessoas transgêneras são assassinadas a taxas que são surpreendentes quando comparadas aos seus contemporâneos. Embora os dados sejam limitados na melhor das hipóteses, tem havido algum esforço nos últimos anos para registrar e analisar a violência transfóbica em todo o mundo.

Um grupo que está levando essa carga é o Trans Murder Monitoring Project (Projeto de Monitoramento de Assassinato de Trans, em tradução livre), que começou através de uma cooperação entre o Transgender Europe e a revista acadêmica on-lineLiminalis, em 2009. Seus últimos dados, de março de 2012, registram mais de 800 assassinatos de pessoas transgêneras em todo o mundo durante os últimos quatro anos em 55 países. A parte mais assustadora desse número é que, segundo os realizadores do projeto admitiram, o estudo “só pode fornecer um vislumbre de uma realidade que é, sem dúvida, muito pior do que os números sugerem”.

Parte do desafio em encontrar os dados estatísticos para estas atrocidades é que há um certo número de detalhes técnicos burocráticos e complicações que tornam extremamente difícil determinar os valores exatos. Pessoas trans nem sempre são capazes de alcançar o reconhecimento legal de sua identidade, nem a mídia nos retrata como realmente somos na maioria dos casos. Assim, nossas vidas e nossas mortes são muitas vezes deturpadas por agências governamentais, sociais e na mídia. Isso significa que informações precisas e dados são difíceis de encontrar, e um bem precioso quando encontrados.

Simplificando, a razão pela qual há tão poucos dados é que as formas pelas quais os dados são coletados não fazem concessões para as pessoas transgêneras. Isto significa que na coleta de informações de um indivíduo para um censo, por exemplo, ou para a papelada relacionada a doenças como o HIV / AIDS, hepatite, tuberculose, etc, não há nenhuma maneira de mostrar que alguém se identifica como transgênero. Há quase sempre apenas duas opções dadas – masculino e feminino – com nenhuma forma de indicar qualquer coisa que não seja o sistema binário de gênero difundido na sociedade ocidental. Isto pode ter efeitos enormes sobre a sua saúde, devido à falta de compreensão e sensibilização para as questões que as pessoas transgêneras enfrentam e a subsequente falta de informações, serviços e apoio à sua disposição.

Center of Excellence for Transgender Health (Centro de Excelência para a Saúde de Transgêneros) sugere a implementação de sistemas de coleta de dados de saúde que reflitam mais precisamente tanto a identidade de gênero atual de uma pessoa – em todas as suas glórias formas e encarnações – como a mais tradicional designação masculina/feminina dada no nascimento. Esta metodologia sugerida pode ser radical para alguns, embora sua introdução pudesse dar ao mundo uma melhor ideia quanto a quem a comunidade transgênera realmente é, alimentando mais da história de gênero de cada indivíduo nossos dados. Houve algum progresso notável no entanto, à medida que países como Nepal e Austrália reconhecem oficialmente transgênero como uma terceira identidade.

No entanto, para o resto do mundo, a situação de dados é ainda mais complicada por uma crise de identidade jurídica, que impede a maioria das tentativas de encontrar até mesmo uma contagem exata da comunidade transgênero como um todo.

National Center for Transgender Equality (Centro Nacional para a Igualdade Transgênera) estima que entre 0,25% e 1% da população dos EUA é transgênera, apesar de ninguém poder dizer ao certo quantas pessoas transgêneras existem em todo o mundo, nem todos os seus assassinatos poderão ser devidamente documentados pelos gravadores, apesar de seus melhores esforços.

A triste verdade é que as pessoas transgêneras continuarão a ser perseguidas e assassinadas por serem elas mesmas. Nossas vidas são consideradas menos dignas pelo mainstream em muitos lugares, e nossos assassinatos ignorados como se não fossem grandes perdas. Mas ainda somos seres humanos, e nossas mortes não são menos importantes do que a de qualquer outro ser humano.

Todos os anos, durante a semana de 20 de novembro, há vigílias à luz de velas e memoriais em todo o mundo. Fazemos isto para honrar e valorizar a memória de nossos irmãos e irmãs perdidos do mundo inteiro. A lista deste ano representa quase 40 vidas encurtadas pela intolerância, então eu espero que você tire um momento para se lembrar deles, e insisto que vocês se unam à luta contra a transfobia, violência e discriminação.

*Dee Borrego é uma mulher transgênera de 28 anos, HIV positiva, que atualmente vive em Boston, Massachussets. Ela é uma ativista, blogueira, poliglota e líder comunitária. Foi membro fundador da US Positive Women’s Network (Rede de Mulheres Positivas dos Estados Unidos) em 2008, e atualmente atua em seu Comitê Gestor. Dee foi recentemente eleita para o Conselho de Administração da Global Network of People Living with HIV, North America (Rede Global de Pessoas Vivendo com HIV, América do Norte).

Por Dee Borego* do Open Democracy. Traduzido por Isis Reis, do Canal Ibase

Impactos de transgênicos e agrotóxicos na saúde

Transgênicos

Pela primeira vez na história foi realizado um estudo completo e de longo prazo para avaliar o efeito que um transgênico e um agrotóxico podem provocar sobre a saúde pública. Os resultados são alarmantes.

O transgênico testado foi o milho NK603, tolerante à aplicação do herbicida Roundup (característica presente em mais de 80% dos transgênicos alimentícios plantados no mundo), e o agrotóxico avaliado foi o próprio Roundup, o herbicida mais utilizado no planeta – ambos de propriedade da Monsanto. O milho em questão foi autorizado no Brasil em 2008 e está amplamente disseminado nas lavouras e alimentos industrializados, e o Roundup é também largamente utilizado em lavouras brasileiras, sobretudo as transgênicas.

O estudo foi realizado ao longo de 2 anos com 200 ratos de laboratório, nos quais foram avaliados mais de 100 parâmetros. Eles foram alimentados de três maneiras distintas: apenas com milho NK603, com milho NK603 tratado com Roundup e com milho não modificado geneticamente tratado com Roundup. As doses de milho transgênico (a partir de 11%) e de glifosato (0,1 ppb na água) utilizadas na dieta dos animais foram equivalentes àquelas a que está exposta a população norte-americana em sua alimentação cotidiana.

Os resultados revelam uma mortalidade mais alta e frequente quando se consome esses dois produtos, com efeitos hormonais não lineares e relacionados ao sexo. As fêmeas desenvolveram numerosos e significantes tumores mamários, além de problemas hipofisários e renais. Os machos morreram, em sua maioria, de graves deficiências crônicas hepato-renais.

O estudo, realizado pela equipe do professor Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França, foi publicado em uma das mais importantes revistas científicas internacionais de toxicologia alimentar, a Food and Chemical Toxicology.

Segundo reportagem da AFP, Séralini afirmou que “o primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do rato indicador (que não se alimentou com OGM), enquanto a primeira fêmea, oito meses antes. No 17º mês foram observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)”. Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes de surgirem nos ratos indicadores (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias), aparecem, em média, 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.

O artigo da Food and Chemical Toxicology mostra imagens de ratos com tumores maiores do que bolas de pingue-pongue. As fotos também podem ser vistas em algumas das reportagens citadas ao final deste texto.

Séralini também explicou à AFP que “com uma pequena dose de Roundup, que corresponde à quantidade que se pode encontrar na Bretanha (norte da França) durante a época em que se espalha este produto, são observados 2,5 vezes mais tumores mamários do que é normal”.

De acordo com Séralini, os efeitos do milho NK603 só haviam sido analisados até agora em períodos de até três meses. No Brasil, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) autoriza o plantio, a comercialização e o consumo de produtos transgênicos com base em estudos de curto prazo, apresentados pelas próprias empresas demandantes do registro.

O pesquisador informou ainda que esta é a primeira vez que o herbicida Roundup foi analisado em longo prazo. Até agora, somente seu princípio ativo (sem seus coadjuvantes) havia sido analisado durante mais de seis meses. Um dado importante sobre esse estudo é que os pesquisadores trabalharam quase que na clandestinidade. Temendo a reação das empresas multinacionais sementeiras, suas mensagens eram criptografadas e não se falava ao telefone sobre o assunto. As sementes de milho, que são patenteadas, foram adquiridas através de uma escola agrícola canadense, plantadas, e o milho colhido foi então “importado” pelo porto francês de Le Havre para a fabricação dos croquetes que seriam servidos aos ratos.

A história e os resultados desse experimento foram descritos em um livro, de autoria do próprio Séralini, que será publicado na França em 26 de setembro sob o título “Tous Cobayes !” (Todos Cobaias!). Simultaneamente, será lançado um documentário, adaptado a partir do livro e dirigido por Jean-Paul Jaud.

Esse estudo coloca um fim à dúvida sobre os riscos que os alimentos transgênicos representam para a saúde da população e revela, de forma chocante, a frouxidão das agências sanitárias e de biossegurança em várias partes do mundo responsáveis pela avaliação e autorização desses produtos.