[Vídeo] Curso de história do Brasil online gratuito

USP oferece curso de história do Brasil online gratuito. Entre os temas abordados no curso estão a influência dos Jesuítas, a Independência e a abolição da escravatura.

Acesse a playlist dos vídeos e confira as vídeos aulas do Curso Livre de História do Brasil, que agrupa 15 vídeos em que professores da USP falam sobre a influência dos Jesuítas, Dom João VI, a Independência, a abolição da escravatura, a Primeira República e História da Alfabetização.

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Esgoto a céu aberto: inimigo invisível

Água e saneamento

O acesso à água potável e ao saneamento básico foram reconhecidos como direito do ser humano pela Organização das Nações Unidas. A resolução declara que “o direito a uma água potável, limpa e de qualidade e a instalações sanitárias é um direito humano, indispensável para gozar plenamente do direito à vida”. No entanto, 884 milhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável e mais de 2,6 bilhões não dispõem de instalações sanitárias adequadas.

Serviço absolutamente essencial, a coleta e o tratamento de esgoto têm sido deixados de lado por sucessivos governos. Hoje, apenas 50,6% da população urbana brasileira têm acesso a rede de esgoto. Para um país que pretende ser uma potência econômica esse número é inaceitável, principalmente porque quem tem mais sofrido com essa situação são as crianças.

A inexistência de rede de distribuição de água potável, associada à falta de coleta e de tratamento de esgoto, cria um ambiente insalubre que propicia o desenvolvimento de doenças fatais. O que mais surpreende no esgoto é o seu poder destruidor, sua capacidade de atuar em todo o território nacional e de se infiltrar em todos os níveis da sociedade.

A imagem de crianças brincando em meio aos esgotos e lixo a céu aberto é tocante aos olhos de qualquer um. O principal impacto disso, ou melhor, o impacto mais visível dessa cena é a diarreia. Os pais levam a criança ao posto de saúde com dores abdominais e o médico faz o diagnóstico de parasitose; descreve o tratamento recomendando a ingestão de um medicamento antibiótico e soro. A criança toma o medicamento como prescrito, mas já na próxima visita ao médico retorna com o mesmo problema. Depois de três ou quatro crises de diarreia, a criança cria imunidade e, então, desde que haja uma boa nutrição, as diarreias parecem ficar menos importantes, uma vez que a criança se recupera bem. Apesar de mínimas, este quadro freqüente de diarreias deixa sequelas a médio e longo prazo.

Além das diarreias e outras infecções causadas pela falta de coleta e de tratamento de esgoto, outras doenças prejudicam o desenvolvimento e condenam essas crianças em longo prazo. Se pegarmos crianças de 0 a 5 anos, os danos são ainda maiores: são permanentes.  Trata-se de doenças toxicológicas causadas pela contaminação por substâncias químicas vindas de causas e produtos diversos, tais como a lata de refrigerante, a lata de tinta, garrafas PET, óleo de cozinha, sacolas plásticas, entre outros objetos que são lançados diariamente nos rios e nos esgotos a céu aberto das comunidades carentes em todo o País.

De acordo com o Ranking do Saneamento com avaliação dos serviços nas 81 maiores cidades do País, divulgado anualmente pelo Instituto Trata Brasil, em 2008 eram despejados, diariamente, 5,9 bilhões de litros de esgoto sem tratamento algum, somente nessas cidades, contaminando solos, rios, mananciais e praias do país com impactos diretos à saúde da população.

Engana-se quem pensa que os impactos da concentração de lixo nos esgotos a céu aberto e nos rios afeta apenas a saúde daqueles que moram nas comunidades carentes. Grande parte dessas substâncias tóxicas que estão concentradas nos esgotos a céu aberto são voláteis e evaporam levando o “problema” para uma área muito maior. Veja só: todos os anos, no início do ano, nossas cidades sofrem com as enchentes. Imagine você, que trafega pelas redondezas do Rio Tietê, por exemplo, ou de qualquer corpo d água do país. Com as chuvas, todo aquele esgoto que está sendo jogado direto no rio irá evaporar e você irá respirar esse ar contaminado pelas substâncias químicas. Não há escolha, você pode estar na parte rica ou pobre da cidade, mas você será atingido por esse verdadeiro inimigo invisível.

Vamos nos concentrar aqui nos efeitos que esse inimigo traz às crianças. Essas substâncias afetarão a capacidade imunológica dos glóbulos brancos eliminarem as bactérias e de produzir anticorpos provocando alergias respiratórias, nasais, intestinais e de pele que vão permanecer com essa criança por muito tempo. Além disso, a criança terá também a sua função renal alterada podendo tornar-se hipertensa e seu rim pode vir a sofrer uma falência precoce.

Mas as crianças mais afetadas são aquelas que têm entre 0 e 5 anos e que ainda estão em fase de desenvolvimento corporal e do cérebro. Essa é a fase mais importante do ser humano em termos de ditar a qualidade de vida como adulto, incluindo também os nove meses de gestação da mãe. Essa é a fase mais crítica, ou seja, quando os órgãos estão se formando, pois eles estão extremamente sensíveis e suscetíveis a pequenas modificações ambientais ou de ingestão de substâncias. Um recém-nascido, fruto de uma mãe que vive em um ambiente inóspito, ou seja, um ambiente sem coleta e tratamento de esgoto, vai sentir muito mais a exposição a essas substâncias e poderá ter uma má formação cardíaca, sofrer de deficiência hepática e de problemas imunológicos.

Mais grave do que o quadro acima é o seu sistema neurológico, ou seja, seu sistema nervoso central e periférico. O cérebro pode até desenvolver o tamanho correto, mas a capacidade de fazer sinapses, de fazer ligações nervosas será prejudicada. 90% das sinapses se formam até os 7 anos de vida. E a maturação e a complexidade dessa rede neuronal vão terminar apenas aos 18 anos de vida. Essas duas fases, entre 0 e 7, e entre 7 e 18, são determinantes da capacidade e da personalidade desse indivíduo. A criança que nasce e vive seus primeiros anos vida nesse ambiente inóspito está fadada a sofrer um déficit de aprendizado e intelectual e se tornará um peso para a sociedade.

Infelizmente, nossos governantes ainda têm uma visão míope sobre a questão do saneamento básico: constroem estádios enormes para esportes e esquecem de investir em uma área que é fundamental, que representa um investimento, que no futuro irá refletir em uma economia enorme que é a de não ter que cuidar de uma criança com deficiência mental, intelectual, imunológica ou de saúde decorrente da exposição a substâncias químicas que permeiam o nosso país.

A sociedade civil precisa estar alerta que o problema toxicológico causado pela falta de coleta e tratamento de esgoto e que não está restrita apenas às comunidades carentes. Basta um vento mais forte ou uma chuva para carregar as substâncias tóxicas para muito mais longe, contaminando e condenando, em porções homeopáticas, toda a sociedade. Tais substâncias, despejadas diariamente em nossos rios pelos esgotos, são um verdadeiro inimigo invisível. A sociedade deve se unir e cobrar de seus governantes um olhar mais atento e investimentos prioritários na coleta e tratamento de esgoto devem ser feitos para garantir qualidade de vida à nossa população e, principalmente, às nossas futuras gerações.

Por Anthony Wong que é pediatra, professor e diretor do CEATOX do Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas da FM-USP e Embaixador do Instituto Trata Brasil.

Água potável

País tem a maior rede pública de transplantes do mundo, mas poucos doadores

Doação de órgãos

O Brasil tem a maior rede pública de transplantes no mundo e vem registrando um aumento gradativo no número de cirurgias. De acordo com a coordenadora do Sistema Nacional de Trasplantes, Rosana Nothen, apesar da tendência de aumento desde 2006, o número de doadores efetivos é de 8,6 para cada um milhão de habitantes. Na Espanha, esse número chega a 36 por milhão de habitantes.

Em relação ao transplante de pulmão, o médico assistente do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor) e professor da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Pego Fernandes, explicou que ainda é uma cirurgia relativamente nova no mundo e muito recente no Brasil.

Tem aumentado, mas ainda é um número baixo. Tem espaço para crescer. Temos feito várias iniciativas, e uma delas é divulgar mais. Fazer o médico lembrar que o paciente dele pode ser um candidato a doador, o próprio paciente e os familiares pensarem nisso

De acordo com dados da Secretaria de Saúde de São Paulo, até outubro foram registrados 543 doadores viáveis no estado – que tiveram um ou mais órgãos aproveitados para transplantes -, o que representa 11,7% a mais do que o registrado no ano de 2008, quando foram contabilizados 486 doadores.

No mesmo período, os dados mostram que foram realizados 77 transplantes de coração, 98 de pâncreas, 801 de rim, 443 de fígado e 24 de pulmão. Segundo Fernandes, a sobrevida depois do transplante de pulmão é de 70 a 80% ao final de um ano e de 50 a 60% ao final de cinco anos. “Isso levando em consideração que, sem o transplante, nenhum desses pacientes sobreviveria nesse período de cinco anos”.

A indicação para o transplante vai para pacientes com doenças muito graves não infecciosas nem câncer. “É o doente com enfisema, fibrose cística, fibrose pulmonar que está sendo tratada, mas que piora apesar do tratamento. Então ele tem uma qualidade de vida muito ruim e uma perspectiva de vida também ruim”. Uma das novas regras para os transplantes, anunciadas no final de outubro pelo Ministério da Saúde, é o benefício dado a crianças e adolescentes na fila. A partir de agora, eles terão preferência na hora de receber órgãos de doadores da mesma faixa etária.

De acordo com o Ministério da Saúde, no primeiro semestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, o transplante de rim aumentou 30,28% e o de fígado, 23,17%. No entanto, no mesmo período, os transplantes de coração e de pulmão – que têm mais dificuldades na captação e manutenção dos órgãos – caíram 20,4% e 15,38%, respectivamente.

Fonte: Agência Brasil

Bebida de farinha de uva reduz doenças do envelhecimento em mulheres

Redução do estresse oxidativo

Uma bebida desenvolvida a partir da farinha do bagaço da uva tem potencial para prevenir ou reduzir, em mulheres saudáveis, o estresse oxidativo e suas consequências: envelhecimento precoce, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cânceres.

Isto ocorre devido à existência deácidos fenólicos na bebida, substâncias antioxidantes que protegem o organismo contra a ação de radicais livres que provocam estes tipos de doenças. A descoberta é fruto da pesquisa realizada por Marcela Piedade Monteiro e Elizabeth Torres, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP).

Uva com jeito de açaí

A bebida foi desenvolvida a partir de um subproduto do suco de uva, e foi testado em mulheres saudáveis. Para a obtenção da bebida, a pesquisadora utilizou uma farinha de bagaço de uva, um produto desenvolvido na própria USP em 2008. A farinha é produzida com o bagaço, que é formado por cascas e sementes, obtido das uvas prensadas após a separação do suco concentrado a ser engarrafado.

A produção da bebida ocorre a partir do acréscimo de água a aproximadamente 4,8% da farinha e da homogeneização feita por técnica industrial. Segundo a pesquisadora, essa bebida “possui aparência semelhante ao suco de açaí”.

Gosto da bebida

O próximo passo da pesquisa foi identificar a aceitabilidade da bebida. Para isso foi feita análise sensorial com o uso de uma escala hedônica estruturada de 9 pontos em que havia a observação de parâmetros como odor, aroma, sabor e gosto. Para cada critério, a pontuação varia de 1 (“desgostei muitíssimo”) a 9 (“gostei muitíssimo”), sendo a média 6 (“gostei ligeiramente”). A bebida obteve nota igual a 6 em todos os quesitos, o que a definiu como aceitável. Por isso, a etapa seguinte passou a ser realizada.

Por meio de análises físico-químicas foram testados pH, cor, grau Bricks (quantidade de açúcar presente na bebida) e a capacidade antioxidante, que significa proteger contra o ataque de radicais livres. Assim, foram quantificados os compostos fenólicos, que possuem propriedades antioxidantes.

Teste dos efeitos sobre a saúde

A segunda etapa da pesquisa foi experimentá-la em uma intervenção que envolveu 15 mulheres jovens e saudáveis. Esta fase foi dividida em quatro etapas. Inicialmente, foi feita a coleta de sangue como amostra controle para verificar as modificações ao longo das demais fases.

A seguir, as mulheres foram divididas em dois grupos. A primeira metade ingeriu por 15 dias a bebida de farinha. Posteriormente, não beberam nada que contivesse uva por 15 dias. Nos últimos 15 dias, ingeriram um suco comercial em pó de uva de baixa caloria, equivalente à bebida em estudo. Já o segundo grupo intercalou o suco em pó, nada e a bebida. A cada etapa o sangue era novamente coletado. Foi recomendado a todas as mulheres que não modificassem a dieta, apenas que não se bebesse mais nada que pudesse conter uva e interferir na análise.

Benefícios para as mulheres

Nenhuma modificação significativa pôde ser percebida após a ingestão do suco em pó em relação à amostra controle de sangue. Já quanto à bebida, a melhora foi significativa no que se relaciona à capacidade antioxidante.

“O que é muito bom, explica a pesquisadora, porque indica que pode contribuir na prevenção ou redução de doenças relacionadas ao estresse oxidativo, tais como envelhecimento precoce e doenças cardiovasculares”.

Fatah e Hamas próximos da unificação

Em entrevista, historiadora comenta a aproximação entre as organizações de luta do povo palestino.

A crise humanitária na Faixa de Gaza e a inquietude na Cisjordânia impulsionaram o acordo entre as organizações palestinas Hamas e Fatah, firmado na semana passada. A opinião é da historiadora Arlene Clemesha, professora de história árabe da Universidade de São Paulo (USP). Entre as resoluções do acordo estão a formação de um governo único e compartilhado e a convocação de eleições parlamentares e presidenciais no prazo de um ano. Em entrevista ao Brasil de Fato, Arlene fala sobre o significado do acordo e as expectativas para o ingresso da Palestina na ONU em setembro.

Brasil de Fato – Você acredita que este acordo Hamas-Fatah tem alguma relação com os últimos acontecimentos no mundo árabe, como a revolução democrática egípcia?

Arlene Clemesha – Eles estão certamente relacionados, já que as revoltas têm pressionado as lideranças árabes de inúmeros países a realizar reformas e tentar solucionar temas importantes aos olhos da população. Além disso, a queda de [Hosni] Mubarak deixou o Fatah sem um importante apoiador, e a instabilidade na Síria de Bashar al-Assad fragiliza igualmente o Hamas. A população palestina está inquieta, tem realizado manifestações contra a ocupação israelense tanto na Cisjordânia como na Faixa de Gaza. Ou seja, a unificação nacional se apresenta como uma necessidade para as várias partes, inclusive para viabilizar a mais recente estratégia política da OLP que consiste em solicitar o ingresso da Palestina na ONU em setembro próximo, como forma de criar pressão internacional pelo fim da ocupação israelense dos territórios palestinos da Cisjordânia (incluindo Jerusalém oriental) e Faixa de Gaza.

Qual o significado desse acordo para a luta contra a ocupação israelense?

Arlene Clemesha –Diante do fracasso do processo de paz iniciado em 1991, continuidade na expansão dos assentamentos israelenses em territórios palestinos, e impossibilidade prática e crescente de se criar um Estado Palestino, as lideranças da OLP lançaram oficialmente uma estratégia política que consiste em solicitar o reconhecimento de um Estado palestino, pela ONU, em setembro, sobre as fronteiras internacionalmente reconhecidas de 1967, incluindo Jerusalém oriental e uma solução justa para os refugiados palestinos. Mesmo que reconhecido formalmente, o novo Estado ainda estaria sob ocupação militar israelense, mas a avaliação das lideranças palestinas é de que essa ação ajudaria evidenciar o isolamento de Israel na questão da sua ocupação ilegal dos territórios palestinos.

Para possibilitar que o pedido de reconhecimento do Estado palestino seja aceito pela grande maioria dos países membros da ONU, a unificação nacional é fundamental. Se a aceitação da Palestina na ONU de fato pressionaria Israel a terminar sua ocupação é muito questionável, mas o fato é que tem causado receio por parte do governo de ocupação. Sob tal impacto, Israel já anunciou que irá propor muito em breve um novo plano de paz aos palestinos, resta ver que condições irá oferecer. Deve-se notar que a postura do Hamas de condenação da morte de Bin Laden poderá prejudicar a unificação nacional e certamente contribui para justificar a postura intransigente israelense de anunciar que não irá reconhecer com um governo palestino onde haja a participação do Hamas. Inclusive, como sintoma imediato da sua determinação, suspendeu o repasse dos impostos e taxas de aduanas legalmente pertencentes ao governo palestino, numa ação que lembra em muito o boicote de 2006 ao governo palestino eleito, e que na ocasião levou justamente à ruptura nacional entre o Fatah e o Hamas.

Hamas e Fatah já haviam feito acordos antes. Qual é a diferença desse novo acordo?

O contexto é muito diferente e hoje ambas as partes sentem uma necessidade muito maior de unificação, coisa que não sentiam antes. A Faixa de Gaza está sofrendo uma crise humanitária prolongada e uma deterioração social que têm fomentado o surgimento de pequenos grupos islâmicos de oposição ao Hamas e, inclusive, mais radicais do que este. Na Cisjordânia, o movimento da sociedade civil também pode irromper a qualquer momento em uma nova Intifada. A unificação nacional, e a adoção de uma estratégia de luta comum, que possa pelo menos por hora, unificar tanto a OLP (notadamente o Fatah), o Hamas e a sociedade civil (representada em ONGS principalmente) pelo fim da ocupação tornou-se necessidade para a própria preservação das atuais estruturas políticas existentes.

Fonte:  Dafne Melo, do jornal Brasil de Fato.

Chernobyl: catástrofe no passado, presente e futuro

Há aniversários que provocam dor e revolta. Vinte e cinco anos depois do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 26 de abril de 1986, milhões de pessoas continuam sofrendo os devastadores efeitos radiológicos, psicológicos, sociais, ecológicos e econômicos da maior catástrofe da história nuclear civil. O desastre revelou ao mundo que o uso civil da energia nuclear era capaz de produzir os mesmos efeitos de uma bomba atômica!

Por uma infeliz coincidência, a data foi marcada pelo vazamento dos reatores da usina nuclear de Fukushima, resultante de um terremoto de grande magnitude que atingiu o Japão em março passado. A tragédia, somada aos acidentes de Tcheliabinsk na União Soviética em 1957, na Three Miles Island, nos Estados Unidos em 1979, e em Goiânia em 1987, fomentou o debate acerca da viabilidade da energia limpa como alternativa à energia derivada de recursos fósseis.

A explosão do reator de Chernobyl liberou uma nuvem radioativa gigantesca que contaminou tudo num raio de 200.000km2, chegando até a Europa e à África, e progressivamente irradiando efeitos por toda a atmosfera terrestre. Estima-se que milhares de pessoas foram contaminadas. Em seguida ao acidente, a União Soviética realocou cerca de 350.000 pessoas que viviam nas proximidades, e enviou quase 600 mil pessoas, entre bombeiros, civis e soldados, que foram apelidados de “liquidadores”, à zona afetada para a construção de um sarcófago que isolasse o material radioativo concentrado no reator por 20 a 30 anos. Não há estudos confiáveis, mas estima-se que a maior parte daquelas pessoas tenha sofrido, esteja sofrendo ou sofrerá algum efeito em decorrência da exposição à radiação. Esses efeitos, por sua vez, serão transmitidos de geração para geração.

Um quarto de século se passou, mas a tragédia de Chernobyl está longe de pertencer ao passado. Mesmo após a construção do sarcófago, não foi possível reocupar todas as áreas que foram contaminadas. Cinco milhões de hectares de terras foram inutilizados, e houve contaminação significativa de florestas. Outra incógnita refere-se às consequências da radiação para a vida animal. Os cientistas registraram queda da biodiversidade e várias mutações genéticas em pássaros, insetos e flores. No que diz respeito às pessoas, a situação é alarmante. Além daquelas diretamente afetadas, as estimativas oficiais não se pronunciam a respeito dos milhões de seres humanos afetados indiretamente pela nuvem radioativa que cruzou continentes, levando à conclusão de que a catástrofe não tem qualquer relação com suas mortes e doenças.

O acidente provocou a liberação de quantidade 400 vezes maior de material radioativo do que aquela liberada pelas bombas despejadas sobre Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. A precipitação radioativa de Chernobyl permanece como um perigo para o meio ambiente, mas quase não há pesquisas sobre o tema. As regiões mais afetadas pela poeira e cinza radioativas têm contaminação em até 20 centímetros abaixo do solo. Elas representam uma fonte pequena, mas constante, de exposição. As partículas radioativas passam do solo para as plantas por meio das raízes, e para os animais por meio da vegetação que os alimenta e, para os humanos, por meio da carne e do leite. Absorvida pelo corpo humano, a radiação danifica o DNA. Médicos e geneticistas alertam para os efeitos das doses fracas de radioatividade em dezenas de milhões de pessoas que vivem, bebem, se alimentam e se reproduzem em um meio contaminado: tumores cancerígenos, cardiopatias, fadigas crônicas e doenças inéditas. Para além de tudo isso, teme-se efeitos irreversíveis sobre o genoma humano.

Estima-se que muitas doenças hereditárias, provocadas por mutações genéticas, atingirão milhares de bebês no futuro. A conclusão trágica é de que o acidente nuclear de Chernobyl deverá ficar perpetuado por várias gerações no patrimônio genético da humanidade. Não se trata, portanto, de assunto do passado, mas também do presente e do futuro. Seja através da explosão de uma bomba nuclear ou de um acidente como o de Chernobyl, o fato é que todos nós estamos expostos direta ou indiretamente aos resquícios das atividades nucleares na atmosfera terrestre. Os efeitos de Chernobyl em longo prazo na saúde pública e no meio ambiente permanecem desconhecidos.

Além disso, décadas depois da catástrofe, as regiões afetadas permanecem social e economicamente devastadas. Para além das 350.000 pessoas evacuadas, 784.320 hectares de terras agrícolas foram proibidos para o cultivo e outros 700.000 hectares tiveram vetada a produção de madeira. Por outro lado, o sarcófago, pleno de fissuras, ameaça ceder e necessita da construção de um reforço que custará mais de um bilhão de dólares.

Atualmente existem 440 centrais nucleares no mundo, que significam 440 focos de riscos de desastres nucleares. O Brasil já passou por uma experiência traumática em Goiânia. Seria oportuno aproveitar o momento de discussão mundial, para retomar o debate acerca do futuro da energia nuclear no Brasil, envolvendo os mais diversos setores da sociedade, uma vez que o assunto ultrapassa a questão estratégico-energética, afetando de pleno a saúde pública e o meio-ambiente.

Escrito por Larissa Ramina, doutora em Direito Internacional pela USP, professora da UniBrasil e do UniCuritiba.

Brasil vai defender supremacia em competições de AeroDesign

AeroDesign

Hegemonia

Entre 29 de abril e 01 de maio deste ano, a Equipe de Aerodesign da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP vai defender sua hegemonia em mais edição da SAE East Competition. Desde 1998, a equipe conquista as primeiras colocações nas disputas, projetando os modelos de aeronaves mais criativos e melhor desenvolvidos.

“Ao todo, são 13 vitórias e 20 competições, o que faz da Equipe a mais premiada no mundo”, contabiliza Álvaro Abdalla, professor responsável pelo time.

O campeonato é organizado pela Society Automotive Engineers (SAE) Internacional, e neste ano acontece na cidade de Marieta, Geórgia, nos Estados Unidos. No Brasil, a organização do evento é feita pela SAE Brasil, sociedade fundada em 1991, já filiada à SAE Internacional.

Classes de aeromodelos

AeroDesign

Atualmente, a versão brasileira do campeonato, chamada Competição SAE Brasil de AeroDesign, é classificatória para a SAE East Competition, nos EUA. O evento, que teve sua primeira edição brasileira em 1999, possui três modalidades de competição: a Regular, a Aberta e a Micro.

Para cada uma, há diferentes determinações quanto às dimensões e ao peso dos protótipos de aeronaves, seus motores e sua decolagem, sendo que todas as classes utilizam rádio-controle para a pilotagem do aeromodelo.

Tratando-se dos motores, por exemplo, a classe micro utiliza motores elétricos, enquanto as classes regular e aberta utilizam motores de combustão interna, tendo o metanol como combustível. Os aviões que competem no Brasil, pelas classes Regular e Aberta, devem, respectivamente, ter um peso máximo de 20 e 35 quilos.

Quanto às dimensões do avião, na classe aberta, não há limites de mínimo e máximo. Já na classe regular, esse limite dimensional é diferente a cada ano, mudando segundo as regras das competições. Na competição que acontece no Brasil, neste ano, a soma de dimensões da aeronave deve ser entre 5 e 6,5 metros, diferente do que é delimitado para a SAE East Competition, onde esse valor não pode passar de 5,7 metros.

Os protótipos de avião Os projetos das equipes participantes são julgados de acordo com diversos critérios, como a qualidade dos relatórios, das plantas, da apresentação oral, e a acuracidade na previsão de peso vazio da aeronave e do peso carregado. Segundo Abdalla, é a qualidade, a busca incansável pela excelência e pela ousadia que representam o diferencial da EESC-USP AeroDesign, formada hoje por 20 futuros engenheiros e reconhecida mundialmente.

Protótipo de avião

AeroDesignPara construir um protótipo de avião, o trabalho em equipe, a capacidade de resolver problemas com prazos reduzidos de tempo, a concepção de soluções, o aprimoramento, a viabilização e a habilidade de comunicação entre os membros do grupo são alguns dos desafios que os competidores enfrentam.

Por meio desses desafios, os alunos de graduação mergulham em um ambiente muito parecido com o do dia-a-dia de um engenheiro da área. E é esse um dos objetivos das competições organizadas pela SAE Internacional, que buscam a capacitação dos novos engenheiros para lidar com problemas nos diversos níveis de desenvolvimento de um projeto e na aplicação de ideias inovadoras.

As competições têm atraído cada vez mais a atenção e o interesse de vários cursos de engenharia do País e da América Latina, principalmente por lidar com alta tecnologia, com o próprio desafio intelectual e ter o envolvimento das grandes indústrias da área. A 12ª edição da Competição SAE Brasil, que aconteceu em 2010, contou com a participação de 96 equipes, revelando a dimensão da capacidade de reconhecimento que o evento pode proporcionar aos seus participantes.

AeroDesign brasileiro

AeroDesignA história da Equipe EESC-USP AeroDesign começou em uma Feira de Alta Tecnologia, em 1998, onde a primeira aeronave desenvolvida pelo grupo ficou em exposição e fez demonstrações de voo.

A principal meta da equipe era a divulgação da SAE East Competition, com a finalidade de atrair o interesse de mais escolas de engenharia para que fosse criada uma competição similar à norte-americana, em nível nacional. A participação do time no Congresso Internacional da SAE, em novembro de 1998, em São Paulo, também definiu a importância dos alunos da EESC para a confirmação do primeiro campeonato nacional de AeroDesign, que aconteceu em São José dos Campos.

Atualmente, a equipe encontra-se estabelecida no Hangar II do Departamento de Aeronáutica, no Campus II de São Carlos da USP. No seu espaço, os membros contam com uma sala de computadores, usada sobretudo para os projetos, e com uma oficina, onde manufaturam os modelos para testes e para os próprios aviões.

“Todos os aviões são detalhadamente desenhados em programas de computador que servem para instruir na construção dos aviões, realizar testes estruturais das partes das aeronaves e estimar as dimensões e peso do avião”, explica o professor responsável.

 

Fonte: escrito por Glenda Almeida, da Agência USP.